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outubro 04, 2005
DESENHO 2 - programa 2005-2006
Disciplina anual (4 horas teórico-práticas por semana)
Docente
Mestre Arq.ª Maria José Sardinha
Introdução
Desenho II é uma disciplina cujo programa deve, por um lado, garantir a sedimentação dos conceitos e práticas definidos em Desenho I (ano precedente), e por outro, permitir uma progressiva autonomia de expressão e intenção gráficas.
Pretendemos com o programa proposto, desenvolver capacidades de observação, análise e registo do objecto e do espaço arquitectónico, espaço dirigido essencialmente para o conhecimento e para a utilização prática de uma linguagem gráfica, fazendo apelo à experimentação e ao manuseamento correcto de meios actuantes, técnicas, processos e suportes diversificados. Pretendemos ainda desenvolver a sensibilidade estética, formando e aplicando padrões de exigência.
Caso se julgue oportuno, o Desenho II poderá estabelecer uma relação transversal com algumas disciplinas, nomeadamente Projecto I, reforçando a relação de que o desenho deve determinar como processo numa vontade de encontrar soluções para as suas propostas.
Objectivos
Conhecer e manipular os elementos básicos que compõem a linguagem visual, adequando-os às características do(s) modelo(s) que em dado momento se pretende registar.
Desenvolver as capacidades de observação, análise e registo, aceitando o desenho como forma de pensar. A pessoa que desenha pensa, vê, observa e desenha, pelo que é preciso aprender a pensar, a ver, a observar e a educar a mão.
Desenvolver as capacidades criativas do aluno no domínio da representação gráfica e a particularidade da sua expressão individual, recorrendo ao entendimento, exploração e adequação de potencialidades e comportamentos específicos dos meios gráficos.
Sensibilizar o aluno para a importância das relações lumínicas e cromáticas, como factor de estruturação fundamental do objecto e do espaço arquitectónico.
Iniciação à percepção da imagem urbana. Apreciar o desenho como disciplina específica que permite seleccionar e estabelecer um percurso, no sentido de entender a realidade como forma de expressão pessoal. Aprender a criticar pelo desenho a forma visual da arquitectura, determinando os seus elementos e relacionando-os.
Metodologia
A reduzida carga horária da disciplina (quatro horas semanais) impõe uma metodologia assente principalmente em aulas práticas, onde terá lugar a aplicação e experimentação dos conceitos estudados em cada unidade temática.
Haverá uma incidência teórica no início de cada exercício, onde terá lugar a exposição da matéria base e no final dos mesmos, a título conclusivo. Terá lugar nas aulas, como apoio à matéria base ou aos exercícios propostos, a projecção de imagens (acetatos e diapositivos) e vídeo, para além da entrega regular de documentação de apoio.
Os exercícios propostos serão realizados obrigatoriamente no espaço e no tempo da aula, com algumas deslocações ao exterior, quando as condições climatéricas o permitam. Só desta forma será possível a observação global do esforço, da perseverança e criatividade, manifestados pelo aluno. Serão propostos alguns exercícios paralelos ao tempo da aula (como complemento à escassa carga horária atribuída à disciplina), assim como alguns exercícios de síntese (com enunciados específicos). Pretendemos «enfatizar» as horas de trabalho aplicadas à prática do desenho, tanto no espaço da aula como fora dele.
Será valorizada a participação dos alunos na apreciação individual e conjunta dos exercícios efectuados, através de uma análise crítica e de leituras comparadas, onde se pretende que haja diversidade e pluralidade na resposta aos exercícios propostos.
Tendo em conta a especificidade prática desta disciplina e por não ser compatível aplicar o regulamento de avaliação de conhecimentos existente nesta universidade, faz-se normalmente coincidir a data das frequências ou do exame final, com a entrega de trabalhos, que pode ou não coincidir com a realização de um exercício específico. Prevalece no entanto, todo o trabalho realizado até então, pois o processo de avaliação é contínuo.
Sempre que se considere oportuno, serão organizadas conferências e/ou realizadas visitas de estudo, normalmente em conjunto com a turma de 1º ano, na disciplina de Desenho I.
PROGRAMA
1. Análise e experimentação através do desenho. O desenho como forma de pensar.
1.1 Potencialidades dos meios gráficos actuantes, materiais de suporte e formatos.
1.2 Observação, análise e representação objectiva de formas e espaços arquitectónicos.
1.3 Conceito de Verosimilhança, como uma possibilidade que, para além da semelhança, possibilita a diferenciação individual dos semelhantes.
1.4 Noção de Escala. Complexidade, diferença e totalidade.
1.5 A proporção como relação de grandeza comparativa entre duas partes ou entre cada uma das partes e a grandeza total do(s) objecto(s) arquitectónico(s).
1.6 Construção sistemática de um desenho: Estrutura / Pormenores / Tons e Texturas.
1.7 Métodos de análise e representação gráfica. Aplicação a uma obra arquitectónica.
2. Luz e plasticidade no desenho. Elementos estruturais da linguagem gráfica:
2.1 Lineares.
2.2 Texturais.
2.3 Lumínicos.
2.4 Cromáticos.
3. Dinâmica e crítica do desenho. A arquitectura da Cidade.
3.1 Análise Sequencial: elementos marcantes do espaço urbano.
3.2 Análise Morfológica: dinâmica da forma da arquitectura. Massa e Espaço.
O método de análise sequencial assenta num critério de oposições e contrastes. Hipóteses de sequências e planos:
3.1.1. Disposições gerais esquemáticas simetria / assimetria; definição lateral / definição central; abertura / fechamento; convexidade / concavidade;
3.1.2. Definição pelas superfícies laterais saliência / reentrância; perfil (definição vertical); ondulação (definição horizontal);
3.1.3. Relação entre as duas superfícies: no sentido do ponto de fuga encurtamento; estrangulamento; efeitos de bastidores. valorização (franca ou discreta); no sentido do fechamento do campo visual diafragma; enquadramento; fechamento; vazio;
4. Cor e Representação.
4.1 O fenómeno Cor. Habitat.
4.2 Teoria da Cor: tonalidade, luminosidade e pureza.
4.3 Princípios de Chevreul.
4.4 O sólido de Munsell: sistema de representação das três dimensões da cor.
4.5 Johannes Itten e a Bauhaus (breve referência a J. Albers, W. Kandinsky e P. Klee).
4.6 Policromia arquitectural de Le Corbusier: os livros de cores de 1931 e de 1959.
4.7 O ambiente cultural de alguns ateliers em Portugal. O atelier Conceição Silva.
O projecto realizado para a loja da Valentim de Carvalho, em Cascais.
Avaliação
O processo de avaliação é contínuo, processa-se através da crítica pontual individual, exigindo-se a presença sistemática do aluno na aula; baseia-se na apreciação qualitativa e quantitativa dos seguintes elementos: exercícios elaborados no decurso das aulas, com a consequente organização de um portfólio síntese, resultante da selecção dos registos mais significativos em resposta aos exercícios propostos; exercícios síntese, elaborados também no decurso das aulas; exercícios resolvidos paralelamente; diário gráfico (opcional) – os alunos devem criar hábitos de registo gráfico quotidiano, pelo uso de pequenos cadernos portáteis (sketchbooks).
Critérios Gerais de Avaliação
Assiduidade: pretende-se que o aluno não exceda os 20% de faltas, no entanto, tendo em conta as características do corpo estudantil, com a existência de vários estudantes trabalhadores, este critério é por vezes contornado, embora em situações muito específicas e de modo pouco expressivo. Sempre que ocorrerem visitas de estudo ou noutras iniciativas no âmbito da disciplina de Desenho, só serão admitidas faltas em situações muito específicas e com justificação antecipada.
Durante o ano lectivo serão marcadas duas avaliações periódicas e uma avaliação final; para os alunos serem submetidos à avaliação final, terão de comparecer obrigatoriamente a todas as avaliações periódicas.
O trabalho a desenvolver ao longo do ano constitui-se pelos exercícios correntes resolvidos no espaço das aulas e ainda, em pelo menos três exercícios práticos individuais de síntese (também preferencialmente resolvidos no espaço da aula) e um exercício paralelo de grupo ou individual (no âmbito da análise e representação gráfica).
A avaliação será feita através da observação directa aos alunos ao longo do ano lectivo, tendo em conta os seguintes critérios: o seu grau de empenhamento, interesse e curiosidade manifestados; compreensão, desenvolvimento e rigor demonstrados; organização, evolução, poder de síntese e crítica revelados; conhecimentos adquiridos; evolução de todo o trabalho produzido.
Às tarefas propostas já enunciadas, atribui-se um peso relativo de 40% para os exercícios correntes, 40% para os exercícios de síntese e 20% para o exercício de grupo. Outros elementos adicionais, como o diário gráfico, serão também analisados como trabalho complementar, assim como eventuais exercícios paralelos.
Materiais actuantes
Preferencialmente, sugere-se a utilização de riscadores (grafites, esferográficas, feltros, e afins), aquosos (canetas de aparo(s), pincéis, tinta da china, guaches, e afins) e de diferentes formatos (como exemplo, os graus de dureza, as espessuras); aceitam-se no entanto, outros materiais apropriados à realização de exercícios específicos, sugeridos pelos alunos.
Materiais de suporte
Papel de máquina (80 a 100gr) e papel cavalinho A4, A3 e A2. Pontualmente podem ser utilizados outros tipos de papel, com propriedades diferentes (espessuras, texturas, cores), como o esquisso, manteiga, craft/reciclado, ou outras matérias, que sejam adequados à especificidade do exercício.
Bibliografia Básica(títulos existentes na biblioteca a negrito)
ALBERS, Josef - La interacción del color. Madrid: Alianza Editorial, 1996. (Col. Alianza Forma I).
ARNHEIM, Rudolf - Arte & Percepção Visual, uma psicologia da visão criadora. 7ªed. São Paulo: Livraria Pioneira Editora, 1992. (Col. Arte, Arquitectura e Urbanismo).
BENEVOLO, Leonardo - Diseño de la Ciudad. Barcelona: Editorial Gustavo Gili.
BRUSATIN, Manlio – Desenho/Projecto, Enciclopédia Einaudi, Vol. 25. Lisboa: INCM, 1993.
CARNEIRO, Alberto – Campo, sujeito e representação no ensino do desenho. Porto: FAUP Publicações, 1995.
CHING, Francis D. K. ; JUROSZEK, Steven P. – Dibujo y proyecto. Barcelona : Editorial Gustavo Gilli, 1999.
CULLEN, Gordon - Paisagem Urbana. Lisboa: Edições 70, 1996. (Col. Arquitectura & Urbanismo 1).
GOETHE, J. W. - Traité des Couleurs. Paris: Éditions du Centre Triades, 1995.
ITTEN, Johannes - Art de la Couleur. Paris: Dessain et Tolra, 1986.
ITTEN, Johannes - Le Dessin et La Forme. Paris: Dessain et Tolra, 1995.
LENCLOS, Jean-Philippe et Dominique Les Couleurs de L’Europe. Géographie de La Couleur. Paris: Publications du Moniteur, 1995.
LYNCH, Kevin - A Imagem da Cidade. Lisboa: Edições 70, 1988. (Col. Arte & Comunicação 15).
MASSIRONI, Manfred - Ver Pelo Desenho. Aspectos Técnicos, Cognitivos, Comunicativos. Lisboa: Edições 70, 1983.
MOLINA, Juan José Gómez (coord.) - Las Lecciones del Dibujo. Madrid : Ediciones Cátedra, 1995.
MOLINA, Juan José Gómez (coord.) - Estrategias del Dibujo en el Arte Contemporâneo. Madrid : Ediciones Cátedra, 1999. (Col. Arte, Grandes Temas).
NICOLAIDES, Kimon The natural way to draw. Boston: Hougthon Mifflin, 1976.
ROBBINS, Edward Why Architects Draw (Architects - Interviews). Massachusetts: The MIT Press, 1994.
RODRIGUES, António Jacinto - A Bauhaus e o Ensino Artístico. Lisboa: Editorial Presença, 1989. (Col. Dimensões / Série Especial 15).
ROSSI, Aldo L’Architettura della Città. Padova: Marsilio Editori, 1966.
RUDEL, Jean A Técnica do Desenho. Rio de Janeiro: Zahar Ed., 1980.
VIEIRA, Joaquim O Desenho e o Projecto são o mesmo Porto: FAUP Publicações, 1995.
Bibliografia Complementar
BERGER, John Modos de Ver. Lisboa: Edições 70, 1996. (Col. Arte & Comunicação 3).
CALVINO, Italo As Cidades Invisíveis. Editorial Teorema, 1990. (Colecção Estórias).
CONSIGLIERI, Victor A Morfologia da Arquitectura, 1920-1970, vol. 1. Lisboa: Editorial Estampa, 1994. (Colecção Referência 7).
CONSIGLIERI, Victor A Morfologia da Arquitectura, 1920-1970, vol. 2. Lisboa: Editorial Estampa, 1994. (Colecção Referência 8).
CONSIGLIERI, Victor As Significações da Arquitectura, 1920-1990. Lisboa: Editorial Estampa, 2000.
CÔRTE-REAL, Eduardo O Triunfo da Virtude. As Origens do Desenho Arquitectónico. Lisboa: Livros Horizonte, 2001. (Colecção Horizonte Arquitectura ; 1).
FOCILLON, Henri A vida das Formas. Lisboa: Edições 70, 1988. (Col. Arte & Comunicação 38).
HALL, Edward T. A Dimensão Oculta. Lisboa: Relógio d’Água, 1986.
HICKEFHIER, Alfred Le cube des couleurs. Paris: Dessain & Tolra, 1969.
KANDINSKY, Wassily - Curso da Bauhaus. Lisboa: Edições 70, 1987. (Col. Arte & Comunicação 36).
KANDINSKY, Wassily - Do Espiritual na Arte. 2ª ed. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1991.
KANDINSKY, Wassily - Ponto, Linha, Plano. Lisboa: Edições 70, 1996. (Col. Arte & Comunicação 34).
KANDINSKY, Wassily - Gramática da Criação. Lisboa: Edições 70, 1998. (Col Arte & Comunicação 66).
KANDINSKY, Wassily - O Futuro da Pintura. Lisboa: Edições 70, 1999. (Col Arte & Comunicação 67).
LEYMARIE, Jean Le Dessin, Histoire d’un Art. Genebra: Ed. Skira, 1979.
MATISSE, Henri - Écrits et Propos sur l’Art. Paris: Hermann, Éditeurs des sciences et des arts, 1972. (Collection Savoir: sur l’Art).
MIRÓ, Joan Écrits et entretiens. Paris: Daniel Lelong Éditeur, 1995.
PANOFSKY, Erwin O Significado nas Artes Visuais. Lisboa: Editorial Presença, 1989. (Colecção Dimensões / Série Especial 14)
PANOFSKY, Erwin A Perspectiva como Forma Simbólica. Lisboa: Edições 70, 1993. (Colecção Arte & Comunicação 57)
RODRIGUES, Ana Leonor M. O Desenho. Ordem do Pensamento Arquitectónico. Lisboa: Editorial Estampa, 2000. (Colecção Referência 24).
RUSKIN, John The Elements of Drawing (1857). New York: Dover, 1971. Londres: The Herbert Press, 1991.
SACKS, Oliver «O caso do pintor acromatóptico», in Um Antropólogo em Marte. Sete Histórias Paradoxais. Lisboa: Relógio d’Água, 1996, pp. 25-67. (Colecção Antropos).
TANIZAKI, Jun’ichiro Em louvor às sombras. Maputo: Faculdade de arquitectura e Planeamento Físico (Universidade Eduardo Mondlane), 1999.
WITTGENSTEIN, Ludwig - Anotações sobre as cores. Lisboa: Edições 70, 1996. (Col. Biblioteca de Filosofia Contemporânea 4).
Publicado por Helena Pinto às outubro 4, 2005 06:00 AM