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outubro 06, 2005

PROJECTO 2 - programa 2005-2006

Disciplina anual (12 horas teórico-práticas por semana)

Docentes:
Mestre Arq.º Miguel Santiago (regente)
Mestre Arq.º Hugo Nazareth Fernandes

OBJECTIVOS

A Disciplina de Projecto tem por objectivo confrontar os alunos com o exercício do Projecto Arquitectónico, nas vertentes complementares da teoria de enquadramento e da sua prática específica. A disciplina de Projecto promove uma experiência curricular a desenvolver ao longo de um ciclo de estudos de dois anos lectivos (biénio do 2º e 3º anos - Projecto I + Projecto II), explorando conteúdos programáticos, teóricos e práticos:

O objectivo essencial da disciplina de Projecto de Arquitectura II do terceiro ano tem como base dois critérios fundamentais:

A montante, na aposta da continuidade dos hábitos de metodologia do projecto de base, no despertar da consciência crítica do aluno para um acto que se quer intelectual antes de ser técnico, naquilo que se entende por criação e análise do espaço arquitectónico, através de exercícios práticos de carácter experimental, faseados por aulas teóricas que visam a contextualização dos temas abordados. No encorajamento da expressão gráfica, que para além da nomenclatura técnica e das normas universais as quais é afecto, é portador de mensagens a nível semiológico que remetem para mecanismos cognitivos supraconscientes da ordem do sensível passíveis de serem descodificados. Deste modo – no seguimento do segundo ano – o correcto entendimento e manuseamento dos conceitos aplicados sob método é comparado ao produto final, que nunca deixará de ser sempre objecto de procura de excelência, criando bases para as metas seguintes.

A jusante, encorajando o desenvolvimento da criatividade técnica e construtiva, aumentando a capacidade de resposta dos alunos para diferentes situações programáticas, tipológicas, construtivas etc., transmitindo noções de qualidade do desenho arquitectónico como linguagem própria, pelo rigor e coerência do desenho técnico, aumentando o grau de informação, recriando ritmos do projecto de execução a partir da escala 1/50.

Em termos gerais, pretende-se ainda a continuidade dos seguintes critérios – anteriormente abordados em Projecto I:

Transmitir os conceitos de Valor e de Verdade do objecto arquitectónico perante si próprio, expressos tanto pela suas capacidades utilitárias como pelas suas capacidades simbólicas, decorrentes dos mecanismos mais ou menos empíricos da resolução da forma e do espaço.

Transmitir os conceitos de Integração, Continuidades e Roturas do objecto pensado/objecto projectado numa determinada realidade (rural ou urbana), com vista ao correcto entendimento dos Valores, Significados e Códigos desse mesmo objecto, contextualizado em relação ao território.

Encorajar a procura de excelência a nível da representação visual do projecto, não só através dos meios convencionais, (desenho à mão levantada e desenho técnico, incluindo perspectivas reais, estudos de sombras, aplicação de aguarelas, pintura a lápis de cor, aguadas, traçados reguladores e maquetas), mas também utilizando o CAD e os sistemas multimédia (concepção tridimensional; apresentação de perspectivas de realidade; inserção do objecto virtual no espaço real; criação de animações em realidade virtual; criação de apresentações em CD-ROM’s ou outros dispositivos).

Transmitir a noção de auto responsabilização do aluno pelas suas propostas perante a sociedade, a cultura e a civilização, numa perspectiva de consciencialização daquilo que mais tarde virá a entender como o código deontológico profissional.

CONTEÚDOS

O terceiro ano do curso tem como tema principal o estudo das variações tipológicas face a diferentes programas e territórios, retomando o tema do habitat, desenvolvido até ao nível da habitação colectiva de carácter misto, assim como na maior complexidade do programa de um equipamento público, através de exercícios práticos faseados em três partes, a entregar sob forma de painéis na fase um e dois, respondendo a critérios específicos de análise: ora na sua vertente conceptual (estudo do espaço; volumetria, geometria; imaginário; representação), ora na sua vertente práctica e construtiva (relação e organização da forma/espaço; programa; contexto; utilização; tecnologias e expressão dos materiais). Finalmente, sob forma de painéis finais, portofolio, maqueta e/ou representações tridimensionais.

METODOLOGIA

Sob forma de:

1. AULAS DE EXPOSIÇÃO DE MATÉRIA BASE.
2. AULAS DE ACOMPANHAMENTO, EXPERIMENTAÇÃO E APLICAÇÃO.
3. AULAS TEÓRICAS
4. VISITAS DE ESTUDO


Nas aulas de acompanhamento procedem-se a exposições orais das várias fases da proposta, por parte do autor, de modo a consolidar, por um lado, o método de avaliação contínua praticado nesta disciplina (pelo treino sistemático de apresentação em público), e permitindo, por outro, à totalidade da turma um acompanhamento em tempo real do trabalho de cada um dos colegas, cabendo ao docente suscitar o debate, a troca de opiniões, o levantar de dúvidas, numa análise interactiva dos vários aspectos particulares que visam a rectificação dos mecanismos mentais operativos e uma clarificação geral das metodologias de projecto em arquitectura.

As aulas teóricas incidem sobre conceitos, projectos e sistemas construtivos, através do visionamento de slides, filmes e outros suportes, com vista à promoção do debate teórico em aula, promovendo e sensibilizando a aproximação interdisciplinar à Teoria e História da Arquitectura – como memória da cultura arquitectónica – ao Desenho – enquanto forma de expressão e comunicação de ideias – assim como às Tecnologias – como aproximação ao rigor tectónico num enquadramento sustentável – ou ao Paisagismo – como parte integrante da visão global necessária ao arquitecto.

As visitas de estudo organizam-se no contexto dos trabalhos realizados ou de carácter mais abrangente, não obrigatoriamente vinculadas aos trabalhos em curso, sendo entregues aos docentes relatórios após cada visita.

O aluno será ainda encorajado a ampliar os seus horizontes de conhecimento através da sua iniciativa própria, nas leituras variadas, assim como pelas démarches individuais que levam à vivência e à experiência dos lugares.

MATERIAL DIDÁCTICO PRODUZIDO

Portofolios; painéis de estudo; maquetas de estudo; relatórios escritos e apresentações sob formato digital.


CRITÉRIOS GERAIS DE AVALIAÇÃO

A avaliação é contínua, incidindo sobre a assiduidade, no empenho pelo trabalho, na participação do aluno, no seu talento, na aplicação, na persistência e no zelo demonstrados tanto a nível dos mecanismos mentais assim como na clarificação do exercício finalizado. Ou seja:

1. QUALIDADE DA PROPOSTA
2. ASPECTOS TÉCNICOS E FUNCIONAIS
3. REPRESENTAÇÃO GRÁFICA E PLÁSTICA
4. CUMPRIMENTO DO ENUNCIADO
5. PARTICIPAÇÃO E ASSIDUIDADE

CRITÉRIOS ESPECÍFICOS DE AVALIAÇÃO

1. PAINÉIS DE ESTUDO DA FASE 1
2. PAINÉIS DE ESTUDO DA FASE 2
3. PORTOFOLIOS, PAINÉIS E EXPOSIÇÃO DO TRABALHO FINAL
Os exercícios são avaliados segundo três fases correspondentes a três entregas. Os painéis de estudo (fase um e dois) são avaliados segundo resposta aos critérios do programa da disciplina (estudo do espaço; volumetria, geometria; imaginário; representação; relação e organização da forma/espaço; programa; contexto; utilização; tecnologias e expressão dos materiais).

Da entrega final devem constar:

Portofolios com identificação do trabalho, autor, disciplina, etc.; memória descritiva; planta de localização; plantas; cortes; alçados; representações tridimensionais (maquetas; fotos de maquetas; axonometrias; modelos virtuais, etc.); esquissos demonstrativos do processo criativo associado ao projecto, esquemas, etc.

Painéis de apresentação em formato A1 tipo KapaLine; Identificação do trabalho, autor, disciplina, memória descritiva (integral ou parcial) etc. estudos de concepção; plantas, cortes e alçados; peças à escala 1/10 000; 1/5000; 1/2000; 1/1000, 1/500, 1/200 e 1/100, 1/50, 1/20; 1/10; 1/5; 1/2 ou 1/1, consoante as necessidades.

Os portofolios são avaliados segundo os seguintes critérios específicos:

- Apresentação gráfica
- Memória descritiva
- Cumprimento do enunciado
- Desenhos técnicos
- Qualidade da proposta

Os painéis finais são avaliados segundo os seguintes critérios específicos:

- Leitura
- Composição
- Síntese (considerando as peças gráficas, ideias ou esboços mais importantes para o devido esclarecimento da proposta).

A exposição do trabalho realizado deverá passar por uma apresentação oral do trabalho, pelo seu autor, na aula, com apoio nas peças gráficas dos respectivos painéis, podendo o aluno recorrer a maquetas de estudo, ao portofolio ou a outras formas de apoio com vista a um mais amplo esclarecimento da proposta (projecção de slides, vídeo, data-show, etc.). A obrigatoriedade de uma apresentação da proposta em maqueta deverá variar consoante os trabalhos. A apresentação oral do aluno será avaliada segundo os seguintes critérios:

- capacidade de transmissão da proposta, através de uma síntese das intenções assumidas pelo autor explanadas nos painéis e na(s) maqueta(s).
- capacidade de argumentação do autor.

No final do Ano Lectivo proceder-se-á a um avaliação geral dos trabalhos elaborados, com vista a uma melhoria ou mesmo um total reequacionamento de um dado exercício, caso tal se justifique, segundo observação dos docentes, constituídos em júri durante os períodos de exame.


Bibliografia básica (títulos existentes na biblioteca a negrito)

AMENDOLA, Giandomenico – La Ciudad Postmoderna. Madrid: Celeste Ediciones, 2000.
BENÉVOLO, Leonardo, História de la Arquitectura Moderna, GG, Barcelona
BLACKBURN, Simon, Dicionário de Filosofia, Gradiva, 1997
CHING, Francis., Architecture: Form, Space & Order, Van Nostrand Reinhold, 1979, New York
CONSIGLIERI, Victor, A morfologia da Arquitectura 1920-1970, vol I e II, Referência/Editorial Estampa, 1994.
CULLEN, Gordon, Townscape, Architectural Press, 1971.
ELIADE, Mircea – O sagrado e o profano - a essência das religiões. Lisboa: Livros do Brasil, [s.d.].
FRANCASTEL, Pierre – Arte e Técnica no Séc. XIX e XX. Lisboa: Ed. livros do Brasil, [1963].
FRAMPTON, Kenneth, História crítica da arquitectura moderna, Martins Fontes, São Paulo, 2000.
GOITIA, Fernando Chueca, Breve História do Urbanismo, Editorial Presença, Lisboa, 1982
GOITIA, Fernando Chueca, Protótipos na Arquitectura Greco-Romana, Ulmeiro, 1996
HEREU, Pere; MONTANER, Josep Maria; OLIVERAS, Jordi – Textos de Arquitectura de la Modernidade. Madrid: Editorial Nerea, S.A., 1994.
KOOLHAAS, Rem – Delirious New York. Roterdão: 010 Publishers, 1994.1ª edição: 1978.
KRIER, Léon, Arquitectura, Escolha ou Fatalidade, Estar Editora, Lisboa, 1999.
KRIER, Rob, Urban Space, Academy Editions, 1991, Londres.
LYNCH, Kevin – A imagem da Cidade. Lisboa: Edições 70, 1982.
MOUTINHO, Mario, A Arquitectura Popular Portuguesa, Editorial Estampa, Lisboa, 1979.
MONTANER, Josep Maria – Las formas del siglo XX. Barcelona: Ed. Gustavo Gili, 2002.
MUNFORD, Lewis – Arte e Técnica. Lisboa: Edições 70, 1986.
PEVSNER, Nicolaus, Origens da Arquitectura Moderna e do Design, Martins Fontes, São Paulo, 1999.
ROSSI, Aldo – A Arquitectura da cidade. Lisboa: Edições Cosmos, 1977.
ZEVI, Bruno, Saber ver a Arquitectura, Dinalivros/Martins Fontes, 1989, Lisboa
ZEVI, Bruno – A linguagem moderna da Arquitectura. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1984.

Bibliografia complementar
ÁBALOS, Iñaki – La Buena Vida. Barcelona: Editorial Gustavo Gili, SA, 2000.
ALEXANDER, Christopher – El Modo Intemporal de Construir. Barcelona: Editorial Gustavo Gili, 1981.
BAUDRILLARD, Jean, Le sistème des objets, Gallimard, Paris, 1968.
BACHELARD, Gaston – La poétique de l’espace. 9º édition Paris: Presses Universitaires de France, 1978.
BENEVOLO, Leonardo – As origens da Urbanística Moderna. Lisboa: Editorial Presença L.da, 1981.
BENEVOLO, Leonardo – A cidade e o arquitecto. Lisboa: Edições 70, 1984.
BENEVOLO, Leonardo – A Cidade na história da Europa. 1ª ed. Lisboa: Editorial Presença L.da, 1995.
CALABRESE, Omar, A Idade Neobarroca, Edições 70, 1987.
CALVINO, Italo – As cidades invisíveis. Lisboa: Editorial Teorema, 1993.
CALVINO, Italo – Porquê ler os clássicos. Lisboa: Editorial Teorema,[DL. 1994].
CALVINO, Italo – Seis propostas para o próximo milénio. 2ª ed. Lisboa: Editorial Teorema, 1992.
CONSIGLIERI, Victor, As Etapas da Significação Arquitectónica 1930-1990, Faculdade de Arquitectura, Universidade Técnica de Lisboa, 1997.
DORFLES, Gillo, O Elogio da Desarmonia, Edições 70, 1986.
ECO, Umberto – Obra aberta. Lisboa: Difel L.da., 1982.
ECO, Umberto – Viagem na irrealidade quotidiana. 3ª ed. Lisboa: Difel L.da., 1993.
FONATTI, Franco – Princípios Elementales de la Forma en Arquitectura, GG, sd, Barcelona.
GRAÇA DIAS, Manuel, Ao Volante, Pela Cidade (dez entrevistas de arquitectura), Relógio D’Agua Editores, Lisboa, 1999.
GRAÇA DIAS, Manuel, O Homem Que Gostava de Cidades, Relógio D’Agua Editores, Lisboa, 2001
KOOLHAAS, Rem – S, M, L, XL. New York: The Monacelli Press, 1995.LE CORBUSIER, A cidade moderna, s.d.
KRIER, Rob, Architectural Composition, Academy Editions, 1991, Londres.LE CORBUSIER – Maneira de pensar o Urbanismo. Lisboa: Publicações Europa América, 1970.
LYOTARD, Jean François – A condição pós-moderna. 2ª ed. Lisboa: Gradiva - Publicações, L.da, 1989.
LYOTARD, Jean François – O inumano: considerações sobre o tempo. Lisboa: Editorial Estampa, 1989.
MERLEAU-PONTY, Maurice, L’OEil et l’Esprit, Éditions Gallimard, Paris, 1964.
MASCARENHAS, Jorge, Sistemas de Construção, Livros Horizonte, 2001.
MIDDLETON, Robin [ed.lit.] – The idea of the City. London: Architectural Associations, 1996. (conjunto de entrevistas elaboradas entre 1971-1990, reunidas posteriormente pelo editor literário).
MONTANER, Josep Maria – Por la modernidad superada / Arquitectura arte y pensamiento del siglo XX. Barcelona: Ed. Gustavo Gili, 2001.
RODRIGUES, António Jacinto – Teoria da arquitectura - O projecto como processo integral na arquitectura de Álvaro Siza. 1ª ed. Porto: FAUP publicações, 1996.
SUMMERSON, John, A Linguagem Clássica da Arquitectura, Martins Fontes, São Paulo, 1997
TAFURI, Manfredo – Projecto e Utopia. Lisboa: Ed. Presença, 1985.
VAN LIER, Henri, L’Animal Signé, De Vischer, 1978.
VIRILIO, Paul, A Inércia Polar, Paris, 1990, Publicações D. Quixote, col. Ciência Nova.

Publicado por Helena Pinto às outubro 6, 2005 10:55 AM