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outubro 24, 2005
projecto II - 1º exercício 2005-2006
JANGADA - TEATRO
Aldo Rossi, 1979
Esquisso do Teatro del Mondo para a Bienal de Veneza.
1 - INTRODUÇÃO
“(...) Para si, os elementos geométricos, as formas básicas de cubo, cilindro e prisma, não reduzíveis ganham um «significado precioso» ao longo da história. O designer – segundo Rossi – combina os blocos de construção da tarefa que se encarregou, de acordo com as regras lógicas da ordem, como se partisse de um conjunto de blocos de recordações. O local para esse acontecimento é a cidade histórica: é esse o cenário teatral onde as pessoas desempenham somente papéis mudos. Aparecem, caminham uma curta distância e depois saem. Por conseguinte as memórias de Rossi não têm qualquer inscrição, porque não há nenhuma linguagem para além da geometria que possua durabilidade. As semelhanças com o teatro vêem-se bem: tal como uma janela para uma outra realidade, elas conferem uma expressão visual a excursões metafísicas.”
In GÖSSEL, Peter – Arquitectura no Século XX.
Köln: Taschen, 2001. p. 307.
A partir dos teatros do século XVIII, a que remonta a antiga tradição veneziana do teatro flutuante, que ancorava na cidade aquando do Carnaval, Aldo Rossi projectou um teatro-jangada em estrutura tubular de ferro e madeira. Construído para a Bienal de Veneza, de 1980, o Teatro del Mondo funcionou como uma Arca de Noé cultural durante o período em que esteve instalado na Punta della Dogana, sendo mais tarde rebocado para Dubrovnik e, por fim, desmantelado. O arquitecto italiano “desviando-se” da tipologia e da forma tradicional, orientou-se para o palco central de Shakespeare, mas, conceptualmente referia-se ao projecto como “um lugar onde a arquitectura terminasse e o mundo da imaginação começasse”
2 - ENUNCIADO
Após uma investigação sobre a evolução tipológica e formal dos teatros e uma pesquisa cuidada sobre o Teatro del Mondo de Aldo Rossi, cada aluno procederá à escolha de local e um percurso para o seu TEATRO-JANGADA.
Este exercício pretende, de um modo didáctico, fazer a transposição de um conjunto de referências funcionais, tipológicas, poéticas, espaciais e históricas para o plano do desenho e do modelo tridimensional. A passagem de uma situação efémera para a construção – o perene.
A cidade de Setúbal é banhada pelo rio Sado e situa-se junto à serra da Arrábida, tendo por estes motivos, uma situação privilegiada com a água e com a natureza. Este exercício pretende um conhecimento da orla marítima junto a Setúbal e junto a Tróia, permitindo a escolha de um local de ancoragem do teatro-jangada e de um possível percurso entre as duas margens do rio.
Pretende-se que o aluno elabore um programa de acordo com o enunciado e com as premissas propostas para este exercício. Deve ter em conta todas as especificidades funcionais mas também técnico-construtivas.
3 - OBJECTIVOS
”O que é a arquitectura? A expressão cristalina dos mais puros pensamentos humanos, do seu fervor, da sua humanidade, da sua fé, da sua religião. Mas quantos dos que vivem esta época compreendem completamente ainda a natureza omnisciente, beatificante da arquitectura? Vede, atravessamos as nossas ruas e quereríamos chorar de vergonha nestes desertos de brutalidade. As armadilhas cinzentas, vazias, estúpidas em que vivemos e trabalhamos, constituirão um triste legado para a posteridade. Há uma consolação para mim, a ideia, a construção de uma ideia de arquitectura, ardente, corajosa, destinada a satisfazer a época ridente que virá. Queiramos, ideemos e criaremos juntos as novas concepções construtivas.”
Apollon in Democracy – Walter Gropius (1883-1969)
Este exercício pretende de uma forma muito marcante relacionar o conceito do projecto e de todos os elementos constituintes desta disciplina (espaço, forma, estrutura, ritmo, proporção, equilíbrio, representação) com as disciplinas mais técnicas: estática, estruturas e tecnologias.
O projecto deve, na sua proposta final, através dos desenhos, textos e maquetas mostrar uma vertente técnica e construtiva, em que as soluções adoptadas e os materiais utilizados funcionem como elementos de consonância e de exaltação da parte conceptual desenvolvida.
Despertar para a análise do objecto arquitectónico tendo em conta a história, o designer, o contexto, o simbólico, o tipológico e o construtivo. Estudar e analisar de forma cuidada alguns exemplos significativos do programa pretendido. Reflectir tendo em conta alguns textos teóricos paradigmáticos sobre o tema.

4 – APRESENTAÇÃO
As peças desenhadas serão apresentadas em dois painéis (suporte rígido) de formato a1. Farão parte destes painéis os seguintes elementos:
Planta de Localização – esc. 1/1000,
Plantas, Cortes e Alçados – esc. 1/100
Pormenores Construtivos – esc. 1/20
Do processo farão parte todos os estudos de concepção e pesquisa de material relevante, desenvolvidos ao longo da pesquisa, permitindo uma leitura adequada da evolução de todo o trabalho. Este documento será apresentado em formato normalizado, dobrado em A4.
Maqueta em cartão ou balsa – esc. 1/100.
O trabalho termina com a apresentação oral por parte de cada aluno.
Entrega final – 28 de Novembro de 2005.
Bom trabalho.
Setúbal, 3 de Outubro de 2005
Miguel João Mendes Santiago Fernandes
Hugo Nazareth Fernandes de Cerqueira
Arquitectos
Publicado por Helena Pinto às outubro 24, 2005 11:17 PM