Resposta ao Relatório Preliminar da
Comissão de Acreditação
do Curso de Arquitectura
do EESSD da Universidade Moderna de
Setúbal.
1.
Como metodologia retiramos em cada caso as expressões tal como constam
do Relatório a que se responde, seguindo-se a contradita possível face ao tom
displicente e carecido de objectivação com que as matérias são tratadas.
Registamos desde já a inconsistência factual e falta de
objectividade em que assenta a generalidade das considerações depreciativas ou
de censura expendidas ao longo do Relatório e que julgamos poder explicar pelo
insuficiente tratamento dispensado à parte documental oferecida no processo de
avaliação da Escola e que terá tido continuação, em nosso entender, por ocasião
da visita da Comissão, em que ocorreram atrasos na sua chegada à Escola com alteração
forçada ao Programa previamente fornecido pela OA.
Também se regista nesta parte introdutória da Resposta, o
facto da absoluta omissão, neste Relatório, de tudo quanto, tendo sido
recomendado no Relatório de 2003, pôde entretanto ser posto em prática, num
esforço continuado de integração de todos os saberes que concorrem para a
formação do arquitecto. Como exemplos, referimos os casos das disciplinas de
Geografia, Sociologia, Economia e Direito, cujos programas foram reformulados
de acordo com as recomendações do Relatório de 2003.
2.1. Quanto ao corpo
docente:
·
“Diminuição do número de doutorados
em exercício com tradução na diminuição dos níveis de qualificação académica do
corpo docente”.
Logo aqui o Relatório nos oferece
motivo para alegar a falta da objectividade da apreciação. Nos dois anos
lectivos que se seguiram ao Relatório de 2003 o agora alegado “trânsito de alguns professores para o curso
de Arquitectura de Lisboa” consubstanciou-se no seguinte:
a)
no
presente ano lectivo, um Licenciado docente em Setúbal transitou para Lisboa e
um Mestre transitou no sentido inverso.
b)
no
ano lectivo de 2003/2004 um doutorado que, durante algum tempo, leccionara em
Setúbal e em Lisboa simultaneamente, passou a leccionar apenas em Lisboa.
A isto se resumem os factos sobre os
quais a Comissão se julgou autorizada a concluir pela “diminuição dos níveis de qualificação académica do corpo docente”
relativamente à situação registada no Relatório de 2003.
A esses factos podemos nós acrescentar
o que resulta de, entretanto, um docente da nossa Escola – o Doutor Baptista
Pereira - ter concluído o seu doutoramento, o que retira fundamento à alegada “diminuição dos níveis de qualificação
académica do corpo docente” relativamente à anterior situação.
Na nossa Escola o ensino está a ser
assegurado, tanto por doutorados e mestres, como por profissionais de reconhecida
competência técnica e comprovada aptidão pedagógica, em que todos trazem ao
ensino as mais valias dos seus saberes académicos ou profissionais com igual
empenho e eficiência.
Mas o importante aqui é registar a
falta de objectividade que presidiu à formulação, pela Comissão, de uma
conclusão no sentido negativo e sem que fosse oferecida qualquer base de
análise factual quanto à menor qualidade do ensino. No mínimo, um descuido
ético que podia e devia ter ficado ausente de um Relatório que se pretende
isento, imparcial e respeitador de regras de convivência institucional.
·
“Interrupção do biénio constituído
pelo segundo e terceiro anos organizado como ciclo pedagógico”:
Não faz sentido este registo, nem se
descortina o seu fundamento. Não só se continua com essa experiência, como a
equipa que a assegurava não se desmembrou. Dois dos quatro membros dessa equipa
foram substituídos por outros dois, ambos com o grau de Mestre, um deles doutorando.
Assinala-se que essa experiência
que, como se disse, se mantém, à Comissão “se
afigura como meritória e como forma eficaz e natural de estabelecer os nexos de
coerência entre os dois anos”.
·
“Desestruturação do corpo docente”
Perplexidade é o termo adequado para
exprimir a nossa surpresa pelo que consta do Relatório. E isto porque a
Comissão parte de um facto – a mudança na direcção do curso –, para concluir
que tal facto poderá ter “eventuais
consequências na coesão pedagógica (…)” e, acrescentando que essas
consequências serão “circunstanciais”,
se permite afirmar que estas – as consequências circunstanciais –, “apontam no sentido de uma desestruturação do
corpo docente”. Assim mesmo!
Apenas pela necessidade de contrapor
diferente raciocínio: Porque não poderá essa mudança apontar no sentido de um
reforço estrutural do corpo docente? Ou no sentido da renovação e da actualização?
Como é que o “circunstancial” comanda ou determina o “estrutural”?
A Comissão dispensou-se de analisar
situações e factos e, formulando um mero juízo de prognose de cariz adivinhatório,
deixa o registo sobre o que antevê como podendo vir a acontecer.
Sendo absolutamente infundamentado
nos termos em que ficou formulado, esse juízo incorre em pecado de outra
natureza: representa um voto de desconfiança na capacidade da nova direcção do
Curso, e tudo isto sem oferecer um mínimo de sustentação que credibilize um tal
julgamento prévio, sumário e sem possibilidade de ser objectivamente
contraditado.
·
“Inexistência de órgão específico de
enquadramento cientifico e pedagógico da actividade docente”:
Existem e funcionam o Conselho
Cientifico e o Conselho Pedagógico e é aqui que se sustenta que a dimensão da
Escola não justifica a existência de outros órgãos intermédios entre aqueles e
o próprio Departamento. Em nenhum dos Estabelecimentos de Ensino da
Universidade Moderna existem tais órgãos específicos para cada curso, nem se
justificam nas condições explicadas.
(anexa-se organigrama do Curso)
·
“Inexistência de plano que viabilize
a progressão da carreira docente mesmo no médio prazo”:
Surpreende-nos a facilidade destas
“conclusões” negativas, quando não podem ter tido origem nem no processo de acreditação
entregue pela Escola nem podem resultar da visita. Também aqui temos de
corrigir o que no Relatório se afirma.
Presentemente encontram-se vários
docentes da Escola a frequentar programas de doutoramento e dois outros – a
Prof. Arqª Ana Tomás, docente da disciplina de Desenho I e coordenadora da
respectiva área científica; e o Mestre Arqº Miguel Santiago, coordenador do 2º
ano e regente da disciplina de Projecto I – aguardam a marcação de data para leitura
das suas teses. Se, na visita, a questão tivesse sido colocada, a resposta
teria de ser a que aqui fica.
A Escola, através da DINENSINO,
proporciona apoio financeiro – redução em 50% nas propinas – aos docentes
cooperantes que desejem frequentar o curso de Doutoramento em Reabilitação
Arquitectónica e Urbana na ETSA de Sevilha.
·
“Indisponibilidade de recursos de
apoio à investigação”:
Remete-se a resposta a esta questão
para o que se oferece no Ponto 2.4 relativo à situação da BIBLIOTECA, ainda que
aqui se deva considerar que a matéria, pela sua natureza, é de ordem
estratégica geral da Instituição, comum e definida para todas as suas Escolas.
2.2. Objectivos Pedagógicos/ Coordenação:
·
“Necessidade de mecanismos
institucionais de coordenação e articulação de conteúdos (…)”:
O Relatório regista que à
interpelação sobre esta situação se teria contraposto que a dimensão da Escola dispensaria as
reuniões de coordenação.
A Comissão fez aqui confusão. A
pequena dimensão da Escola foi apresentada como facto que justifica a não
existência de Conselhos Pedagógico e Científico específicos para o Curso de Arquitectura, e não como facto que
dispensa as coordenações horizontal e vertical, que têm responsáveis. A
dimensão da Escola favorece o contacto informal entre Docentes entre si e com
os Discentes, permitindo potenciar a coordenação institucionalizada.
Essa coordenação institucionalizada,
científica e pedagógica, sempre se realizou periodicamente e pode ser comprovada
pelos registos de presença nas reuniões efectuadas e pelas respectivas actas,
que se encontram disponíveis para apresentação se assim for julgado necessário.
A essas reuniões de coordenação há
que aditar todos os eventos regularmente realizados e, por si, propiciadores de
contactos directos e acompanhamentos: as visitas de estudo, os workshops, as conferências, as acções do
Programa “Erasmus”, os estágios curriculares. Tudo isto documentado nas
instalações da Escola por ocasião da visita da Comissão mas de que esta se não
terá apercebido em razão da mesma falta de tempo que terá estado na origem dos
seus atrasos para as reuniões.
Aliás o mal estar dos Alunos pelas
condições em que a Comissão conduziu as visitas à Escola ficou bem expresso no
Comunicado então distribuído pela Associação de Estudantes.
(anexa-se documento produzido pela
Associação de Estudantes)
·
“Imprecisão dos objectivos
pedagógicos do curso”, “indefinição pedagógica do curso” e “inexistência de uma definição clara de escola”:
A Comissão por certo saberá o que
entende pelas expressões supra.
Será que pretendia vê-las definidas
em algum documento específico?
Ou pretendia que o conteúdo das
mesmas lhe fosse descrito durante a visita?
Ou esse conteúdo deverá constar,
como reportando explicitamente a tais expressões, de algum documento estatutário
do curso ou mesmo da Escola?
Em que base informativa ou
documental pôde a Comissão construir tais afirmações?
Existirão descrições técnicas ou cientificas
com conteúdos únicos?
Tentaremos, por palpite,
contraditar.
Aqui, como noutros pontos, o
Relatório expressa reservas, criticas, considerações abstractas e vazias de
conteúdo, sem reportar a nada de concreto e apenas a partir de conceitos que
terão sido utilizados oralmente durante a visita, de conteúdo suficientemente
abrangente para permitir à Comissão assertos depreciativos sobre uma realidade
que, dessa forma, pode ficar sem análise factual e objectiva.
Consideremos o termo “eclético”,
acolhido no Relatório como tendo sido utilizado por nós para adjectivar o Curso
e dessa forma expressar os objectivos pedagógicos desse mesmo Curso.
Acontece que o vocábulo nunca foi
utilizado com a finalidade de identificar tais objectivos. Apenas se pretendeu,
no discorrer oral em que foi utilizado, apontar que, na sua diversidade, o Curso
aspirava àquela unidade que ficou expressa no caso exemplar das Escolas de
Arquitectura em Portugal: a Escola de Arquitectura do Porto que teve, na
excelência dos seus frutos, expressões tão distintas como as que se vislumbram
em Siza Vieira e em Luís Cunha. Pretendeu-se sustentar que não existe criação
artística sem um completo domínio das ferramentas e das técnicas, mas em
liberdade de expressão.
Recusamos o “perfil do arquitecto” que
irá fazer mais isto ou aquilo, mais urbanista ou mais arquitecto de interiores,
ou mais moda, ou mais ligado à construção, e afirmamos a figura do arquitecto
humanista, situado e internacionalista,
culto e generalista, na medida em que o seu olhar e pensamento estão
disponíveis para os diferentes saberes e domínios relacionados com a
arquitectura e urbanismo.
O que ficou também dito em
substância, e não na circunstância, é que o Curso é situado. Este posicionamento conduz a que uma das mais importantes
realidades de estudo, e o seu correspondente laboratório de actuação, seja o
território, o urbanismo, a arquitectura da cidade e da região de Setúbal, na
sua especificidade contextual e na sua problemática, atendendo a que essa
região:
·
Sofre
a pressão urbanística da área metropolitana de Lisboa e contacta a Sul e a
nascente com uma realidade ainda rural.
·
É
uma das zonas do país com maior número de áreas urbanizadas de génese ilegal.
·
Possui
um vasto e importante património natural, histórico e arqueológico.
·
Regista
grande desenvolvimento económico (indústria do ramo automóvel, extracção de
inertes, vitivinicultura, pescas, navegação, etc.)
·
Quer
Setúbal quer os demais centros urbanos do distrito oferecem ainda alguma
qualidade urbana habitacional, mantendo alguma consistência patrimonial.
·
A
população de Setúbal manifesta particular apetência pelas actividades
artísticas: existem vários grupos de teatro com actividade regular; possui a
melhor Companhia de Dança Contemporânea; decorrem em continuidade exposições de
artes plásticas e festivais de cinema; a percentagem de estudantes que
frequentam cursos da área artística é superior à média nacional.
Uma boa parte dos enunciados das
disciplinas de Projecto são sobre problemas e situações sugeridas por
instituições do distrito. São disso exemplo os exercícios que estão a decorrer no
presente ano lectivo, nos 3º, 4º e 5º anos, enquadrados por uma instituição de
Setúbal, e pelas Câmaras Municipais de Palmela e Sesimbra respectivamente
(anexam-se os enunciados referidos)
Este objectivo geral do curso tem
vindo a materializar-se e a alcançar consagração profissional através da
actividade que os primeiros alunos licenciados pela Escola e com estágio
concluído perante a Ordem dos Arquitectos, estão a desenvolver, com sucesso, ao
serviço das Entidades públicas e privadas do distrito de Setúbal.
(anexa-se cópia da carta dirigida habitualmente aos ex-alunos em que se procura
saber da sua situação profissional)
(anexam-se lista de ex-alunos e sua situação profissional)
Recusamos também um perfil
definitivo de escola porque sabemos que ele vai sendo construído em diálogo
aberto com a realidade social e cultural que o envolve e que no nosso caso será
inevitável integrar no seu plano de estudos disciplinas com clara componente
artística; como será inevitável a expansão da cooperação internacional com outras universidades de dimensão e
postura semelhantes às nossas.
·
“Inexistência de coordenação
horizontal/vertical entre áreas cientificas”:
O Relatório de 2003 recomendava uma
melhor articulação de Projecto com as disciplinas de Tecnologias, Estruturas,
Geografia e Sociologia.
Desde então sempre se tem trabalhado
nesse sentido e podemos assegurar que, especialmente no que respeita às três
primeiras áreas, se registam avanços concretos no sentido recomendado como,
aliás foi exposto por ocasião da visita e, pelos vistos ficou ignorado.
2.3. Conteúdo programático das disciplinas:
Todos os programas de disciplinas
que mereceram reparo no Relatório de 2003 foram ajustados às recomendações dele
constantes nos termos e pelas formas que a seguir se apontam.
2.3.1. Área cientifica Desenho
Esta área inclui as disciplinas de
Desenho I, Geometria e CAD no 1º ano e a disciplina de Desenho II no 2º ano.
Apesar de, como a de Projecto, não
ter sido objecto de qualquer reparo por parte da anterior Comissão no Relatório
de 2003, e de não ter sofrido qualquer alteração desde então, o actual Relatório
afirma que ela tem reduzida carga horária, sem minimamente o justificar. Mas
então como aderir ou refutar?
Refuta-se com firmeza a opinião,
também por sustentar, segundo a qual estas disciplinas não se articulam
horizontalmente com as de Projecto.
Acontece exactamente o contrário.
Existem exercícios em que é fomentada essa interdisciplinaridade. E o facto
poderia ter sido verificado pela própria Comissão quando da visita à mostra dos
trabalhos se tivesse havido interesse em obter essa comprovação.
Exemplificando com a prática
instalada:
Na disciplina de Desenho I estuda-se
o local da intervenção do último trabalho de Arquitectura Analítica, que é o
primeiro trabalho no percurso escolar das disciplinas da área de Projecto que
inclui o estudo da envolvente e do lugar.
Na disciplina de Geometria
pretende-se que o aluno operacionalize os conteúdos leccionados em complemento
com as abordagens feitas nas aulas de Arquitectura Analítica à Geometria, à
tridimensionalidade, à forma e ao espaço.
(anexam-se os
enunciados referidos)
2.3.2.
Área Científica Teoria e História
Foram seguidas todas as
recomendações do Relatório de 2003 relativas a esta área. Mas no actual
Relaório é sugerido que se separem as Disciplinas de Teoria e de História.
Independentemente dos nomes que se
possam dar às disciplinas, e de alguma remodelação nesse sentido que possamos
vir a fazer no nosso Curso, o que importa é que pensamos que a história tem
sempre de ser configurada numa perspectiva teórica; a teoria é indissociável da
história.
2.3.3.
“Área Científica CAD”
Não existe área científica CAD. Trata-se
apenas de uma disciplina com 3 horas semanais, integrada na área científica de
Desenho.
Concordamos que ela é desadequada no
1º ano, e por isso o programa actual incide também sobre a aprendizagem do
desenho técnico. A sua inclusão em ano curricular mais avançado, de modo a
melhor se poder articular com outros conhecimentos entretanto adquiridos e a
proporcionar maior aproveitamento das suas potencialidades, é uma das alterações
já admitidas em futura remodelação do curso.
2.3.4.
Área cientifica Tecnologias /
Estruturas (Construção)
Tem aqui aplicação o que se deixa
dito para a área Desenho.
Foi comentado, durante a visita da
Comissão de 2003, que a falta de coordenação horizontal entre as disciplinas de
Projecto e de Construções era um problema comum a todas as escolas e que várias
soluções tinham sido ensaiadas. Segundo o relato de um elemento da escola de
arquitectura do Porto, experimentou-se integrar a disciplina de Construções na
de Projecto, mas pouco depois voltou-se às duas disciplinas autónomas, por
dificuldades de inclusão de extensos programas que versam sobre as tecnologias
construtivas em disciplinas que se querem mais abrangentes, como as de Projecto.
Apesar dessa dificuldade, muito e
continuado esforço fizemos nesse sentido. No entanto a Comissão nem sequer se
deteve nos painéis expostos na sala do 4º ano, que demonstravam o trabalho de
articulação entre Projecto e Estruturas no ano lectivo anterior. Tão pouco no
tema do 1º semestre deste ano lectivo -“habitação unifamiliar e arquitectura de
terra” - inserido num outro objectivo de formação que é a sustentabilidade. Havia
seis painéis das várias disciplinas com informação específica e relacionada com
o tema proposto: construção em taipa; construção em madeira; dimensionamento de
estruturas simples; arquitectura de terra na história da arquitectura
portuguesa; exemplos da arquitectura de terra no mundo em várias épocas; e
energias alternativas.
2.3.5.
Reabilitação de Edifícios e Sítios
Encontramos neste item um conjunto de incoerências que
acabam por ocorrer igualmente em outras partes do Relatório.
Embora nele a Comissão haja
declarado partir do Relatório datado de 2003, acontece que nem o conteúdo programático
desta Disciplina (de 3 horas semanais, apenas num ano lectivo, que faz parte da
área científica de Tecnologias), nem o seu método de avaliação, mereceram então
qualquer reparo.
Pois dessa presumível conformidade
partiu agora a Comissão para uma avaliação que, ignorando em absoluto o que
seria essencial ou, no mínimo, prioritário de avaliação – o conteúdo programático -, ocupa-se apenas do método de avaliação.
A isso associa ainda uma falta de
clareza que emana dos termos por que se expressa essa apreciação e que, em
nosso entender, é mesmo contraditória nos seus elementos conclusivos.
a) A natureza e os objectivos da
Disciplina parecem justificar plenamente o peso de cada uma das suas
componentes de avaliação, e fazemos esta afirmação na segura convicção de que a
repartição adoptada nesta Escola, na sua proporcionalidade, é adoptada na
generalidade das Escolas de Arquitectura do País. Por isso seria curial que a
censura que sobre essa repartição incidiu, fosse acompanhada de um mínimo de
sustentação técnica, mesmo que apenas indiciada, mas que no Relatório está
omissa. As opiniões não se impõem apenas por si mesmas.
Para além disso, e ao contrário do
que a apreciação da Comissão deixa entender, essa avaliação não se reconduz às
aulas teóricas e aos trabalhos realizados. Ela abrange, como resulta do próprio
Regulamento Geral da Avaliação em vigor na Escola, também a participação nas
aulas, os trabalhos individuais, os trabalhos de grupo, os testes escritos e
outras actuações do aluno.
Os conhecimentos teóricos apenas se
reflectem nos trabalhos práticos na sua interligação com as matérias a tratar,
sendo as matérias teóricas avaliadas na sua especificidade através de testes.
Apesar disso, terá que haver sempre como suporte de base o domínio de conhecimentos
teóricos essenciais para a compreensão da existência dos valores culturais a
salvaguardar e da adaptabilidade do objecto, enquanto matéria de suporte destes
valores, à vida contemporânea.
b) Temos ainda de registar o facto
de o Relatório expressar considerações sobre a “pouca qualidade dos trabalhos práticos apresentados”, quando é
certo que a Comissão não visionou nenhum desses trabalhos. Apenas observou
alguns cartazes que no seu conjunto e sequência tentavam dar a conhecer o
percurso desenvolvido ao longo do ano lectivo, ainda que todos os trabalhos, os
representados por esses cartazes e os não representados, estivessem
disponíveis, alguns deles até em suporte informático.
Acrescenta-se que a mostra não era
exaustiva e não lhe presidiu qualquer preocupação selectiva da qualidade que
conduzisse à apresentação apenas dos melhores. Apenas se pretendeu, numa
prática constante de lealdade, abertura e responsabilidade, viabilizar a
presença por níveis representativos das diferentes qualificações dos alunos
autores, individuais ou em grupo, os quais terão merecido necessariamente uma
classificação compatível.
2.4. Biblioteca
Reconhecendo-se o fundamento para
certos reparos, a situação deverá ser avaliada no especial contexto
institucional e económico por que passou a DINENSINO e de que só agora começa a
emergir. Trata-se de situação superável e cuja resolução se vislumbra no curto
prazo, não devendo por isso mesmo influenciar a acreditação do curso ainda que
sob condição de um compromisso situado quanto à modificação da actual situação
de certa carência bibliográfica.
É certo que apesar de tudo o
referido, tem havido algum esforço de crescimento e de actualização do acervo
bibliográfico, tanto em quantidade como em qualidade, o que nos permite afirmar
que o acervo registou crescimento relativamente à situação registada pelo
Relatório de 2003.
Por outro lado ainda, é prática
assumida pelos Docentes disponibilizarem aos alunos as obras que não encontrem
na Biblioteca.
Porém refuta-se a referência às revistas
e especialmente que estas possam ser usadas como referências ou modelos para o
Projecto.
2.5. Ratio Professor/Aluno
A forma como esta questão é
analisada no Relatório é manifestamente desajustada e inconveniente, sobretudo
quando se compara a situação da Escola, com apenas uma turma por ano
curricular, com outras situações tanto do Ensino público como privado.
Na Escola as turmas funcionam em
regime de “atelier” e de laboratório permanente, com a presença de um ou de
dois docentes, esporadicamente com a presença de convidados.
Ora, no Relatório conclui-se ao
contrário, aqui como sempre sem fundamentação ou sem que se conheça como terá
sido formada essa opinião.
Esta é, em qualquer caso, questão
não tratada pelo Relatório de 2003.
2.6. Sistema de ingresso e precedências
Como foi explicado aos membros da
Comissão, a praxis didáctica desta
Escola assegura o regime de precedências nas disciplinas das áreas científicas de
Projecto e de Tecnologias, que no entanto não está consignado no Regulamento
Geral de Avaliação. No entanto, o Curso tem discutido internamente essas
questões e já tem preparados os respectivos documentos para a aprovação pelos
Órgãos competentes do EESSD.
Conclusão final
O projecto de Relatório que nos foi
presente sustenta a nossa convicção sobre a forma displicente com que o
processo de acreditação foi tratado até ao momento, com particular realce para
as condições em que decorreu a visita à Escola em Setúbal e o que da mesma
resultou.
A objectividade está ausente e o Relatório
expressa opiniões não sustentadas, no geral subjectivadas e sem correspondência
na realidade da Escola. Este facto representa uma forma de cerceamento de
condições de oposição ao mesmo Relatório, uma vez que não nos propomos cruzar
opiniões mas sim discutir os factos ou situações que possam sustentar essas
opiniões, todas elas “órfãs” de sustentação factual ou técnica, com que o
Relatório nos confronta.
O que, apesar disso, contrapomos a
essas opiniões é de molde a pôr em causa as respostas desfavoráveis que constam
dos parâmetros de acreditação, onde acontece até que alguns deles não oferecem
qualquer relação entre o seu enunciado e a resposta, o que pode indiciar
práticas de improvisação que seriam inadmissíveis num processo de acreditação
de uma Escola.
O projecto de Relatório é
inaceitável para esta Escola, que por isso o rejeita pelo seu conteúdo, devendo
ser refeito à luz desta oposição de fundo e com a consequente alteração nas
respostas para as colocar em concordância com fundamentada refutação ao seu
conteúdo.
Setúbal, 6 de Maio de 2005