RECURSO QUE APRESENTA O DEPARTAMENTO DE ARQUITECTURA DO

ESTABELECIMENTO DE ENSINO SUPERIOR DE SETÚBAL DA DINENSINO

AO CONSELHO NACIONAL DE DELEGADOS DA ORDEM DOS ARQUITECTOS

Sobre o PROCESSO DE ACREDITAÇÃO DO CURSO

 

 

 

 

 

Introdução

 

No processo de renovação da Acreditação do nosso Curso de Arquitectura pela Ordem dos Arquitectos, fomos solicitados para nos pronunciarmos sobre os conteúdos dos Relatórios Preliminar e Final da Comissão que visitou a nossa Escola em 1 e 2 de Fevereiro de 2005. Nenhum dos documentos que em tempo produzimos foi suficiente para que o nosso processo fosse reanalisado com maior objectividade, mantendo-se a proposta de “não acreditação”.

(Anexo 1: cópias das nossas respostas aos Relatórios Preliminar e Final, datados respectivamente de 6 de Maio e 4 de Agosto de 2005)

 

Partindo destes factos, vimos agora expor o seguinte:

 

No Relatório da anterior Comissão, de Julho de 2003, eram feitas algumas recomendações objectivas que muito nos ajudaram a rever e melhorar alguns aspectos. Tidos como imperfeitos, obstaram a que nos fosse concedida a acreditação plena, mas não obstaram a que nos fosse concedida a acreditação por um ano. Tratando-se agora de uma reapreciação da situação anterior, esperar-se-ia uma verificação desses aspectos, que eram quanto a:

  1. Corpo Docente
  2. Coordenação Vertical, Coordenação Horizontal
  3. Conteúdo Programático das Disciplinas

a)        Área Científica do Urbanismo

b)        Área Científica de Teoria e História

c)        Área Científica de Construção

d)        Área Científica de Humanidades

  1. Biblioteca

 

Partindo de uma sumária avaliação destes aspectos, a actual Comissão de Acreditação entendeu também abordar alguns outros não referidos pela anterior Comissão.

 

Na exposição que se segue, contrapomos em primeiro lugar o que foi feito relativamente às recomendações do Relatório de 2003 (Parte A), seguindo-se a exposição das alterações relativas aos aspectos introduzidos pelo actual Relatório (Parte B) e das que decorrem de reflexões internas (Parte C). Por último, a refutação de algumas das classificações do quadro da conformidade de parâmetros de acreditação (Parte D).


 

Parte A

 

1.     Corpo Docente

O nosso Curso integra no seu corpo docente profissionais com adequada capacidade pedagógica e científica e de comprovada experiência de projecto e de obra, de acordo com as directivas internacionais sobre o ensino de arquitectura. Alguns deles são também investigadores e encontram-se a fazer formação (mestrado ou doutoramento).

Após a avaliação feita pela OA em 2003. um dos nossos docentes doutorou-se (o Prof. Doutor Baptista Pereira) e dois outros docentes aguardam a leitura das suas teses de doutoramento (a Prof. Arqª Ana Leonor Tomás, responsável pela área científica de Desenho desde a primeira hora, e o Mestre Arqº Miguel Santiago, que lecciona no nosso Curso desde o ano de 2004-2005).

(Anexo 2: cópia do recibo de entrega na FAUTL da tese do docente Miguel Santiago)

     

2. Coordenação Vertical, Coordenação Horizontal

As coordenações horizontais e verticais são e sempre foram asseguradas por docentes com experiência pedagógica e profissional. O trabalho de coordenação é potenciado pela reduzida dimensão de uma escola onde, adicionalmente, os horários lectivos facilitam encontros semanais entre os docentes da mesma área científica.

(Anexo 3: horário lectivo para o ano de 2005-2006)

 

3. Conteúdo Programático das Disciplinas

Os conteúdos programáticos de algumas disciplinas foram reformulados de acordo com as recomendações do Relatório de 2003 e constam do dossier entregue na OA aquando do pedido de renovação da Acreditação.

Começando no presente ano lectivo de 2005-2006, foram também reformulados os programas das disciplinas de Arquitectura Paisagista e de Sociologia, a qual passou a incluir o tema da Ecologia Social.

(Anexo 4: novos programas das disciplinas de Arquitectura Paisagista e de Sociologia)

 

4. Biblioteca

Os títulos existentes desde o início do curso em 1996 são uma fonte de entendimento e reflexão sobre as condições culturais em que o fenómeno da arquitectura se desenvolve. Apenas como exemplo cita-se a existência de títulos como Alberti – De Re Aedificatoria, Emil Kaufman - La Arquitectura de la Ilustracción e Kenneth Frampton - Studies on Tectonics, reconhecidamente textos de referência que ocupam um lugar central numa reflexão culturalmente sustentada sobre a produção da arquitectura.

Conhecidas dificuldades financeiras da Instituição, superáveis a qualquer momento, têm dificultado o investimento quer em acervo bibliográfico quer em meios técnicos e humanos afectos à Biblioteca e ao Centro de Estudos. Sempre reconhecemos a nossa insuficiência a esse nível. No entanto, é prática da Escola a disponibilização pelos docentes aos discentes do que não se encontre na Biblioteca, podendo afirmar-se com toda a certeza que não há aluno algum que tenha deixado de consultar os livros de que tenha necessitado.

Sendo certo que a Biblioteca continua com insuficiente acervo, não é verdade que ela não tenha crescido relativamente à anterior avaliação. Este crescimento tem sido lento mas regido pelos mesmos critérios de qualidade presentes desde o lançamento do Curso.  

(Anexo 5: listagem de títulos disponíveis na Biblioteca, ordenados por autor)

 

 

 

Parte B

 

1. Ratio professor/aluno

Na nossa Escola existe apenas uma turma com uma média de 32 alunos inscritos por cada ano curricular, dos quais nem todos frequentam regularmente as aulas. Nestas condições consideramos mais do que suficiente um docente para cada disciplina teórica e dois docentes para cada uma das disciplinas de projecto.

 

2. Regime de Precedências

Foi aprovado pelos órgãos competentes da Instituição um novo Regulamento de Avaliação e um regime de precedências, que consigna a prática didáctica que sempre existiu.

(Anexo 6: Regulamento de Avaliação para a Licenciatura em Arquitectura)

 

 

 

Parte C

 

1. Novo Regulamento de Estágios

Entrou em vigor no ano lectivo de 2005-2006 um novo Regulamento de Estágios que corrige algumas imperfeições detectadas pela experiência dos últimos anos.

(Anexo 7: Regulamento de Estágios)

 

2. Reflexão interna

Entendemos que é nosso dever efectuar, tanto por auto-exigência, como pela necessidade de contínua actualização do Curso relativamente ao Processo de Bolonha e às directivas internacionais, um conjunto de iniciativas de reflexão dirigidas a docentes e discentes. No âmbito desta reflexão interna, efectuou-se em Maio de 2005 um inquérito aos alunos do 1º ao 5º anos, que obteve resposta por parte de 61% dos inscritos. Brevemente serão os alunos do 6º ano chamados a participar em iniciativa semelhante.

(Anexo 8: formulário e resultados do inquérito aos alunos)    

 


 

 

 

Parte D

 

Classificação da conformidade dos parâmetros de acreditação

 

 

Parâmetro 1.1

Definição dos objectivos do curso

(classificado com NAP- não aprovação)

Os objectivos do nosso curso estão enunciados nos dossiers entregues na OA e em ambas as “contraditas” ao Relatório. Tais objectivos confluem num único: a formação de arquitectos competentes, conhecedores da realidade cultural e regional de onde provêm, e atentos à sua responsabilidade para com a sociedade.

O nosso Curso tem vindo a aprofundar essa sua especificidade de ligação à cidade e ao território em que se insere, nomeadamente através da discussão que os trabalhos académicos têm proporcionado junto da população e das instituições: muitos dos exercícios incidem sobre situações concretas e são preparados em conjunto com essas instituições.

Por outro lado, os nossos estagiários e licenciados têm tido colocação na região, contribuindo por sua vez para a divulgação da cultura arquitectónica e para a afirmação de que todo o cidadão tem direito à arquitectura.

 

Assim, o nosso Curso, em lugar de ser mais um num país onde já há tantos, é antes O Curso de um território alargado onde não existe mais nenhum.

 

Parâmetro 1.2

Existência de estratégia de consolidação e de desenvolvimento do curso (classificado com NAP - não aprovação)  

Os planos de consolidação do Curso passam pela implementação de um forte espírito de “escola” ao serviço da comunidade e da região, com parcerias com várias instituições locais. Simultaneamente mantemos ligações e partilhamos experiências com algumas universidades europeias, com participação em acções intensivas de formação e com intercâmbio de docentes e estudantes.

Esta rede de relações, que continuará a alargar-se, é um dos suportes do desenvolvimento futuro do Curso.

 

Parâmetro 1.3

Articulação com outras iniciativas de pós-formação disciplinar

(classificado com NAC – não aceitabilidade)

A Instituição Dinensino pretende diversificar a formação oferecida, quer em Licenciaturas, quer em cursos de extensão universitária (pós-graduações, mestrados e doutoramentos), quer em cursos livres de especialização. O Departamento de Arquitectura tem em preparação alguns desses cursos que, simultaneamente, poderão disponibilizar disciplinas opcionais ao Plano de Estudos do Curso de Arquitectura.

 

Parâmetro 1.4

Organização do trabalho pedagógico: dimensão das turmas

(classificado com NAC – não aceitabilidade)

Pelas razões enunciadas em B.1., não faz sentido a aplicação deste parâmetro no nosso caso.

 

Parâmetro 1.7

Componente didática: articulação vertical e horizontal das matérias de base

(classificado com NAP - não aprovação)

A classificação negativa neste parâmetro não tem correspondência na parte escrita do Relatório. Objectivamente ele nada refere quanto às disciplinas de Projecto, mas aponta insuficiente carga horária em Desenho sem qualquer justificação e comenta negativamente a disciplina de Reabilitação de Edifícios e Sítios, a qual representa apenas 2 % da totalidade da carga horária do Curso. Acresce que a ligeireza da visita efectuada à exposição dos trabalhos - entre as 15.45 e as 17.15h do segundo dia da visita - impediu-nos de explicar fosse o que fosse, mas não impediu a Comissão de se considerar esclarecida sobre a interdisciplinaridade das matérias.     

Extensa informação consta nos dossiers entregues na OA que comprovam que o Curso está bem estruturado horizontal e verticalmente, e cumpre todas as recomendações internacionais e as da própria Ordem.

(Anexo 9: quadro geral das áreas científicas e sua carga horária mínima, que é parte integrante do Relatório de 2003) 

 

Parâmetro 1.13

Qualidade na avaliação da capacidade de projecto

(classificação omissa)

No nosso Curso sempre se verificou a exposição pública dos exercícios, nas suas diferentes fases, em que todos são chamados a participar em discussões alargadas e na contínua avaliação de resultados.

 

Parâmetro 2.1

Procura do curso

(classificação omissa)

O Curso mantém nos seus seis anos curriculares cerca de 200 estudantes. Tem-se também verificado uma manutenção da procura de inscrições por parte de novos alunos, tendência reconfirmada no ano lectivo que se iniciou há poucas semanas.    

 

Parâmetro 2.4

Participação dos docentes

(classificado com NC - não conformidade)

A totalidade dos docentes participa na gestão pedagógica e científica do Curso. 

 

Parâmetro 2.7

Preocupações científicas e pedagógicas da escola com o curso

(classificado com NAC – não aceitabilidade)

A Instituição apoia a formação de docentes em programas de doutoramento na Universidade de Sevilha através da redução de 50% nas propinas.

Presentemente 4 dos nossos docentes frequentam nessa universidade o programa de doutoramento em Reabilitação Arquitectónica e Urbana.

 

Parâmetro 2.8

Produção científica, iniciativas de produção e de divulgação

(classificado com NAC – não aceitabilidade)

O Mapa de Arquitectura de Setúbal, publicado em 2004 com o apoio da Ordem dos Arquitectos, foi organizado e produzido por um grupo de 5 dos nossos docentes.

Estão no prelo: o número 2 da revista Acto-U.M., com entradas de docentes e de conferencistas convidados; uma publicação relativa ao workshop internacional realizado em Maio de 2004 na nossa Escola.

Encontra-se em fase de teste e irá entrar em pleno funcionamento dentro de poucas semanas um website de divulgação da produção académica e científica de discentes e docentes.

  

Parâmetro 3.1

Número de doutores afectos ao curso

(classificado com NAC – não aceitabilidade)

O número de doutores ou equiparados através da sua competência profissional, de doutorandos que em breve defenderão as suas teses e de outros formandos é proporcional à dimensão da Escola. Esta conformidade foi recentemente constatada por inspecção efectuada pelo Ministério que nos tutela.

 

Parâmetro 3.5

Adequação em pessoal não docente

(classificado com NC - não conformidade)

Existe pessoal técnico, administrativo e de apoio e essa informação consta dos dossiers entregues na OA.

 

Parâmetros 4.4 e 4.5

Disponibilidade de centros de documentação ou bibliotecas

Qualidade de acesso à informação e documentação

(classificados com NAC – não aceitabilidade)

Durante a visita às instalações da Universidade os membros da Comissão estiveram cerca de três minutos dentro da biblioteca. Nessa breve estadia não foram consultados os ficheiros disponíveis, apenas foi dado um rápido olhar pelas estantes. A referência feita no Relatório à existência de revistas e de uma suposta orientação do ensino com base na mera veiculação de modelos presentes nesse tipo de publicações carece de qualquer fundamento, já que muitos dos livros existentes apontam precisamente para o contrário. Os reparos que são feitos não correspondem sequer ao que a Comissão teve oportunidade de observar na visita aos trabalhos expostos, em que longe de se estar perante um conjunto de modelos e respostas padronizadas, é possível verificar a existência de uma atitude de questionamento das formas arquitectónicas e da necessidade de reflexão sobre as mesmas.

Em qualquer caso a insuficiência da Biblioteca (“sintoma gritante”, na pitoresca expressão da Comissão) não pode por si só condicionar a avaliação da qualidade de um curso, segundo as regras do Regulamento de Admissão da OA.

 

Parâmetro 4.9

Instalações para o pessoal de apoio técnico e administrativo

(classificação omissa)

Existem adequadas instalações para o pessoal técnico e administrativo e essa existência pôde ser confirmada in loco pela Comissão. 

 

 

 

 

 

Conclusão

 

A situação de impasse em que neste momento nos encontramos é grandemente lesiva da dignidade da Escola, entendida como o conjunto dos seus alunos, dos seus licenciados e dos seus docentes, mas sobretudo é, em nosso entender, potencialmente lesiva da própria Ordem dos Arquitectos, de que muitos de nós fazem parte. Por isso estamos convictos de que uma análise cuidada e objectiva dos dossiers entregues na OA, do que invocamos em ambas as “contraditas” e do que aqui expressamos, conduzirá a uma reavaliação da Escola e determinará a reacreditação do Curso de Arquitectura da Universidade Moderna de Setúbal.

 

 

Setúbal, 21 de Outubro de 2005

 

O Departamento de Arquitectura

Estabelecimento de Ensino Superior de Setúbal da Dinensino

Universidade Moderna de Setúbal

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Anexo 1: cópias das nossas respostas aos Relatórios Preliminar e Final, datados respectivamente de 6 de Maio e 4 de Agosto de 2005

Anexo 2: cópia do recibo de entrega na FAUTL da tese do docente Miguel Santiago

Anexo 3: horário lectivo para o ano de 2005-2006

Anexo 4: novos programas das disciplinas de Sociologia e de Arquitectura Paisagista

Anexo 5: listagem de títulos disponíveis na Biblioteca, ordenados por autor

Anexo 6: Regulamento de Avaliação para a Licenciatura em Arquitectura

Anexo 7: Regulamento de Estágios

Anexo 8: formulário e resultados do inquérito aos alunos   

Anexo 9: quadro geral das áreas científicas e sua carga horária mínima, que é parte integrante do Relatório de 2003